terça-feira, 9 de junho de 2015

E aí, o que tem pra hoje?

Bom, enquanto não penso em um título melhor para o blog, fica esse, meio pretensioso mesmo. O blog surgiu de uma ideia primeiramente vaga, porque tenho pensado muito a respeito do que significa levantar a bandeira do feminismo, e querer pensar sobre as questões de gênero, e ao mesmo tempo me deparar com as questões que chegam aos consultórios. Enquanto terapeutas, precisamos trabalhar com modelos de funcionamento psíquico reconhecidos, ou seja, que foram construídos por teóricos em épocas em que Foucault ainda não tinha aparecido e contado pra todo mundo que existem relações de poder não só no macro espaço sideral, mas também no dia-a-dia, entre as pessoas comuns, entre eu e você que lê esse texto. Teorias construídas levando em consideração um modelo de homem da Viena do começo século XX ou, na melhor das hipóteses, dos Estados Unidos e da Inglaterra antes da década de 1960, antes dos movimentos libertários, do movimento hippie, negro e da segunda onda feminista.
O que fazer pra conciliar as duas coisas? Pois é, a resposta é que a gente ainda não sabe. Sabemos apenas que muita coisa incomoda. Incomoda pensar que a mulher é considerada histérica, incomodam os estereótipos. Mas também ficamos na corda-bamba tomando cuidado pra não cair em uma militância dentro do consultório, vendo a mulher sempre como a oprimida. Um dos princípios da terapia é auxiliar a mudança do paciente, apontando também o que vemos como "negativo", ou as pulsões e complexos que barram o crescimento pessoal e psíquico, ou, como diria Bion, as verdades doloridas para todos nós. É, meus caros, parece um pequeno impasse, mas a questão é que descobrimos, nos últimos tempos, e creio eu que com a questão de gênero principalmente, que a clínica é também um instrumento político, pois as estruturas de poder estão por toda a parte. Depois de descobrir que onde há poder, há conflito e há política, penso que é nossa função enquanto terapeutas não nos eximirmos de ter um olhar para essa questão. Não dá mais pra fingir que isso não existe, não nos toca e que não temos também uma função política dentro das quatro paredes, com um divã (ou não).

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